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domingo, 5 de julho de 2009

"A vida de Pi", Yann Martel

A VIDA DE PI de Yann Martel
Tradução: António Pescada
Colecção: Literatura Estrangeira
Ano de Edição: 2003
Editora: Difel
Nº Páginas: 344
ISBN: 972-29-0655-0
EAN: 9789722906555
Prémio Man Booker 2002
Prémio Hugh MacLennan de Ficção 2001
Prémio Journey 2001

Sinopse:
"Depois do naufrágio de um navio de carga, um único bote salva-vidas permanece a flutuar à superfície do agreste Oceano Pacífico. A tripulação do barco consiste numa hiena, um orangotango, uma zebra com a perna partida, um tigre de Bengala e Pi Patel, um rapaz indiano de 16 anos de idade. O palco está preparado para um dos mais extraordinários fragmentos de ficção literária dos últimos tempos. Um romance com tão rara e assombrosa habilidade para contar histórias que, como diz uma das personagens, talvez faço o leitor conseguir acreditar em Deus."

Este é um livro que se lê devagar, não se devora, mas saboreia-se e faz-nos pensar. É uma fabulosa fábula sobre a condição humana, escrita numa linguagem simples e levemente filosófica, que nos surpreende não raras vezes com frases extraordinárias. Talvez seja o seu autor quem melhor o define quando diz que "Pi é o espírito humano no seu melhor".





quarta-feira, 17 de junho de 2009

"Caos Calmo", Sandro Veronesi

Sinopse:
Enquanto Pietro Paladini salvava uma desconhecida de morrer afogada na praia, a sua mulher morria perante os olhos incrédulos de Claudia, a filha de ambos. A partir desse dia, tudo muda. Pietro decide não voltar ao trabalho e começa a passar os dias sentado em frente à escola da filha. Mas a dor e o luto pela mulher parecem não o afectar como seria de esperar. A sua vida continua, ainda que agora num novo e inusitado cenário, que, por sua vez, exerce um fascínio inexplicável sobre os novos e os velhos amigos, o irmão, a cunhada e os colegas de trabalho que ali se deslocam para terem com Pietro conversas para as quais nunca haviam tido coragem. Em vez de lhe darem os pêsames, fazem-lhe confidências, expõem sentimentos e inseguranças numa série de histórias paralelas que levam o protagonista a reflectir sobre a sua própria existência.Esta obra foi adaptada ao cinema, num filme realizado por Antonello Grimaldi, protagonizado por Nanni Moretti e distribuído em Portugal pela Midas Filmes.

O título atraiu-me, não vi o filme...
A “simplicidade” da ideia à volta da qual se escreve este livro é genial. Perante uma situação de choque brutal, o narrador deixa apenas fluir pensamentos, sensações, ligações afectivas tal qual surgem a cada um de nós, sem filtro... e o resultado é surpreendente. A linguagem, clara e acessível, é a dos pensamentos voluntários e involuntários que a todo o instante tomam conta de nós e que aqui são transmitidos ao papel... num “caos calmo”, que nem sempre conseguimos entender, mas que faz terrivelmente sentido.

sábado, 6 de junho de 2009

“Marés de Inverno”, Luís Miguel Raposo

Não poderia deixar de falar (mais uma vez) deste livro. Se quero falar de livros, este terá sempre de ser o primeiro, porque foi com ele, com a história dele, com a minha história com ele que nasceu o impulso que me trouxe até a esta “tentadora maresia”.
O que eu senti ao lê-lo foi escrito num momento e as palavras que escolhi, apesar de escritas por mim, estão guardadas onde pertencem, no blog do livro e do autor. Já deixaram de ser só minhas.
Aqui apenas quero dizer que foi um livro que me roubou um pedaço da alma e mo devolveu maior. É um livro feito de mar, do modo como eu o sinto e vivo. E que, como o mar, me tocou, me seduziu e me levou com ele…
O que disse a alguns amigos a quem o ofereci:
É um livro escrito com uma linguagem muito própria, com frases construídas de palavras improváveis, que nos arranham as emoções por serem “tão demais”… mas cujo resultado final, surpreendentemente é de uma extrema suavidade e doçura…
É um livro escrito de dentro para fora, em que a história que conta é um pretexto apenas para a explosão das emoções e dos sentimentos, porque este é um livro feito de “sentir” e não apenas de “contar”. Como toda a “literatura” deve ser.

Cativar: Criar laços …

“”Cativar” quer dizer o quê?
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. – Quer dizer “criar laços”…
- Criar laços?
- Sim, laços – disse a raposa. - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti…”
in “O Principezinho”, Antoine de Saint-Exupéry


Os livros criam laços. Entre quem os lê, entre quem os partilha... Entre as pessoas e a felicidade. Entre a vida e o sonho, entre a coragem e a obra…
Podem ser imensos, podem invadir-nos, perturbar-nos, levar-nos para além do infinito, sabendo que para além da imensidão ainda nos espera o absoluto.
Os livros ensinam o que já temos na alma, mas que por algum acaso esquecemos.
São palavras ditas, criadas, rasgadas, atiradas, misturadas ao sabor de um momento, mas que quando encontram caminho em nós, têm o poder maior de recriar o nosso mundo.
Partilhar um livro é dividir um tesouro, é sempre encontrar um amigo. É ser feliz.