sábado, 21 de novembro de 2009

Onde?

Onde se escondem os amores que não se vivem? Em que parte do coração ficam guardados, fechados, sem correr o risco de se transformarem em mágoa, tristeza e dor?
Aqueles que desperdiçámos porque não soubemos retribuir, aqueles que quisemos mas nos foram negados, todos os amores do mundo, que bom seria poder guardá-los sem os matar nem deixar apodrecer sob a capa doutros sentimentos menores, negativos ou mesmo destrutivos para quem os não pode viver.
Melhor seria poder lançá-los no universo, deixá-los percorrer a Via Láctea, pura energia transformada em cauda de cometa esplendorosa que todos vissem e a todos maravilhasse. Num universo em expansão quantos amores não caberiam? E assim todos os suspiros, sonhos ou devaneios permaneceriam para sempre, intocáveis, puros, guardados para quem os não pode viver e nem uma gota de felicidade se perderia nas marés-vivas da vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Tudo

Gostava de me contentar com menos
De não exigir tanto onde existe naturalmente tão pouco
De não ter de sentir que dou tudo para me sentir completa
De não ter de sentir que recebo tudo para achar que vale a pena
Gostava que apenas metade de tudo já chegasse para me fazer feliz
De aceitar os dias como eles são
Não mais que tempo, não mais que espaço a preencher com vida
E de tudo que me cerca ter coragem para fazer um novo dia!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Poderia dizer-te

Poderia dizer-te que te amo…
Como se numa palavra só coubesse tudo aquilo que por ti sinto
Como se o mar fosse apenas a onda que nos chega até à praia
Ou um relâmpago nos trouxesse a eternidade
Como se uma vida inteira chegasse para ser tua
Ou um carinho perdurasse para sempre
Como se o hoje fosse para sempre o passado e o futuro num momento
Ou o esquecimento a lembrança de outra vida
Poderia dizer-te que te amo se amar-te fosse viver-te nos meus sonhos
E se a palavra saudade chegasse para dizer toda a falta que me fazes
Quando acordo sem ti todos os dias

sábado, 31 de outubro de 2009

Momento

Chego primeiro, hesito na escolha do lugar, decido esperar. Olho em volta, ouço o meu respirar, sinto cada poro que se abre para te receber, cada músculo suavemente contraído, como se cada pedaço de mim se quisesse mostrar e fazer presente neste momento. Como num exercício físico, cada ínfima parte do meu corpo é chamada à vida, trespassada pelo sangue e pela espera. Penso, “não devia ter vindo”, sabendo que nunca poderia ter deixado de o fazer. Sabendo que estou ali por ti e por mim, mas não por nós. Ainda assim, estou ali e espero por ti.
Eis que te sinto chegar antes de ter ver. E vejo-te então por entre a multidão, adivinho os teus passos, sinto-me invadida pelo teu sentir no momento exacto em que aprisiono o teu olhar, naquele segundo em que em simultâneo respiramos fundo sem conseguir libertar o ar dentro de nós, para assim alargar espaço e dar lugar ao coração que, de repente, nos sobra no peito.
E ficas preso a mim, ligado por um fio invisível, mas tão palpável, que quase chega a incomodar quem, apressado, passa entre nós. É este o momento mágico que dura um segundo mas vale por uma vida. O momento em que eu não sou ainda eu, nem tu és tu e em que tudo é ainda possível de acontecer e de vir a existir para sempre entre nós, o instante exacto em que sonho e realidade se cruzam, em que bastaria uma palavra mágica para todo o mundo ser nosso.
Mas eu sei quão breve é esse momento. Olhos que se perdem, mãos que não se dão, ar que por fim abandona o meu peito, coração que aceita sem sossegar, com revolta se cala e aprende contigo a fazer de conta que foi engano, que o amor afinal não mora ali.
E eu penso então que aquele momento talvez pudesse ser tudo, mas afinal não foi nada. E que o amor não existe no meu peito para ser negado, mas sim acarinhado. Realizo que não devia ter vindo e quando me alcanças, te inclinas para mim e me cumprimentas, tu não o sabes, mas eu já fui embora.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Obrigada, Amigo!

Morrer é partir e deixar memórias órfãs por não poderem mais ser partilhadas com quem as criou e as ofereceu aos que ficam sozinhos para as recordar.
Guardo comigo a aprendizagem, a gratidão e o carinho para continuar a descoberta da vida em novas partilhas e em memórias que assim se perpetuam, pois ninguém morre verdadeiramente enquanto houver alguém para o recordar…

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ânsia

Ânsia de viver o que sinto, exactamente do modo como sinto, sem tirar nem pôr. Ânsia de dizer o que penso mas guardar a última frase para mim, traquina, deixando ao sabor de quem me ouve a procura do ponto final para o que digo. Ânsia de fugir de quem me fala para procurar as respostas que não tenho, nem quero dar a ninguém, porque não são precisas. Ânsia de encontrar o que não procuro para assim ser surpreendida. Ânsia de correr mundo para voltar ao meu ponto de partida e nele descobrir afinal o tesouro imaginário do meu impossível feito realidade. Ânsia de perfurar as profundezas, mergulhar no mar, explodir o ar, vencer a velocidade e parar o devagar. Ânsia de saber, conhecer e ensinar o que ainda está por descobrir. Ânsia de me esconder, de desaparecer para poder regressar e ser eu a escolher o meu lugar. Ânsia de aprisionar para ter e dar o prazer de libertar. Ânsia do vazio para que o todo seja meu. Ânsia de viver, de amar sem dor nem esperar. Afinal, apenas ânsia de ser eu.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O tal "talento" muito pequenino e muito escondido!












A pedido da S* (e vejam isto como um acto de coragem, por favor!) mostro dois quadros pintados por mim em acrílico numa altura em que me apetecia pintar flores