
Gostaria de pegar na tua mão e levar-te comigo à descoberta do que fica para lá da linha do horizonte, mas não posso obrigar-te a dares-me a mão, nem tão pouco garantir o que juntos lá encontraríamos. Apenas gostaria de o descobrir contigo.
O tempo é inimigo do querer, passa independente, sem acção nossa para que ele avance. Não depende de nós, não se prende a um desejo, ignora-nos. Limita-se a passar por nós e segue sozinho.
Não sei se foi o tempo que trouxe o desalento, não sei se foste tu, ou se fui eu que simplesmente desisti. Como uma onda chega e alisa a areia revolta, tu chegaste e alisaste as rugas do meu sentir, fizeste de mim tábua rasa, criança inocente, folha branca à espera do teu escrever.
Mas o tempo passa e faltam-te as palavras e a vontade. A folha amareleceu com o tempo, a areia é fustigada por ventos e ondas e tem de ganhar novas formas.
Sem querer, o presente faz-se passado. E hoje não espero mais por ti.