Onde se escondem os amores que não se vivem? Em que parte do coração ficam guardados, fechados, sem correr o risco de se transformarem em mágoa, tristeza e dor? Aqueles que desperdiçámos porque não soubemos retribuir, aqueles que quisemos mas nos foram negados, todos os amores do mundo, que bom seria poder guardá-los sem os matar nem deixar apodrecer sob a capa doutros sentimentos menores, negativos ou mesmo destrutivos para quem os não pode viver. Melhor seria poder lançá-los no universo, deixá-los percorrer a Via Láctea, pura energia transformada em cauda de cometa esplendorosa que todos vissem e a todos maravilhasse. Num universo em expansão quantos amores não caberiam? E assim todos os suspiros, sonhos ou devaneios permaneceriam para sempre, intocáveis, puros, guardados para quem os não pode viver e nem uma gota de felicidade se perderia nas marés-vivas da vida.
Gostava de me contentar com menos De não exigir tanto onde existe naturalmente tão pouco De não ter de sentir que dou tudo para me sentir completa De não ter de sentir que recebo tudo para achar que vale a pena Gostava que apenas metade de tudo já chegasse para me fazer feliz De aceitar os dias como eles são Não mais que tempo, não mais que espaço a preencher com vida E de tudo que me cerca ter coragem para fazer um novo dia!
Poderia dizer-te que te amo… Como se numa palavra só coubesse tudo aquilo que por ti sinto Como se o mar fosse apenas a onda que nos chega até à praia Ou um relâmpago nos trouxesse a eternidade Como se uma vida inteira chegasse para ser tua Ou um carinho perdurasse para sempre Como se o hoje fosse para sempre o passado e o futuro num momento Ou o esquecimento a lembrança de outra vida Poderia dizer-te que te amo se amar-te fosse viver-te nos meus sonhos E se a palavra saudade chegasse para dizer toda a falta que me fazes Quando acordo sem ti todos os dias